A corrida para construir um robô humanóide funcional e acessível está esquentando. A 1X, uma empresa sediada na Califórnia, acredita que seu robô Neo – ao preço de US$ 20 mil – é um avanço significativo. Ao contrário de muitos projetos robóticos focados em tarefas industriais, o Neo foi projetado como um assistente doméstico de uso geral, capaz de aprender e se adaptar a ambientes do mundo real. O CEO da empresa, Bernt Børnich, diz que a chave não é pré-programar cada ação, mas dar ao robô a capacidade de descobrir as coisas por conta própria.
O conceito central: um “modelo mundial” para robôs
A abordagem do 1X gira em torno de um “Modelo Mundial” – um programa de computador que simula o ambiente do robô. Não se trata apenas de reconhecer objetos; trata-se de prever como eles se comportam. Por exemplo, Neo não apenas vê um post-it; ele entende que o papel pode ser retirado de uma superfície e lido.
Isto é crucial porque o mundo real não é um laboratório limpo. A maioria dos robôs enfrenta situações inesperadas, mas a 1X acredita que, ao treinar Neo em grandes quantidades de dados de comportamento humano, ele pode imitar o raciocínio humano. O robô aprende com cerca de um milhão de horas de vídeos que mostram pessoas realizando tarefas cotidianas, incluindo interações complicadas no mundo real, como abrir armários ou manusear objetos frágeis.
Como Neo aprende: imitando a interação humana
Neo foi fisicamente projetado para ser semelhante a um humano, o que 1X argumenta que não é por acaso. A premissa é que o mundo foi construído para os humanos e, ao imitar a forma e o movimento humanos, o robô pode aproveitar o conhecimento existente sobre como as coisas funcionam. Não apenas agarra objetos; ele ajusta sua pegada com cuidado, como uma pessoa faria.
Essa abordagem se baseia na ideia de que um robô não precisa aprender explicitamente todas as tarefas. Em vez disso, pode generalizar a partir do que observa. As primeiras demonstrações da empresa mostraram Neo lutando pela autonomia, dependendo fortemente do controle humano remoto. Mas testes recentes demonstram que o robô realiza tarefas como torrar pão, regar plantas e até mesmo mergulhar vasos sanitários sem intervenção direta.
Limitações e compensações
Apesar do progresso, Neo não é perfeito. As tarefas levam minutos em vez de segundos, e o robô ainda vacila ocasionalmente. A memória de longo prazo – a capacidade de recordar conversas ou preferências passadas – continua a ser um desafio significativo.
1X reconhece essas limitações. Os clientes que optam por não compartilhar dados (para proteger a privacidade) podem experimentar capacidades reduzidas, pois o sistema depende dos dados do usuário para melhorar. Quando o Neo se depara com situações insolúveis, um operador humano pode guiá-lo remotamente através de um fone de ouvido de realidade virtual. Embora isto acrescente custos, a 1X acredita que a teleoperação se tornará menos necessária à medida que a autonomia melhorar.
O futuro dos robôs humanóides
O impulso para robôs humanóides não é exclusivo do 1X. Empresas como Tesla, Boston Dynamics e outras perseguem objetivos semelhantes. A tendência na CES deste ano destacou o impulso crescente, com o robô habilitado para IA da LG, o Atlas da Boston Dynamics e outros modelos avançados roubando a cena.
A questão chave é se estes robôs se tornarão verdadeiramente úteis fora de ambientes controlados. A 1X aposta que a sua abordagem do Modelo Mundial cumprirá essa promessa, mas é um projeto de longo prazo. Os primeiros 10.000 clientes que reservaram um Neo por US$ 200 são essencialmente os primeiros a adotar, dispostos a participar do processo de desenvolvimento.
Em última análise, o sucesso do Neo – e da revolução mais ampla dos robôs humanóides – depende de saber se essas máquinas podem se integrar de forma confiável na vida cotidiana sem exigir intervenção humana constante.




















