Apesar dos ventos contrários à economia global, o mercado de smartphones cresceu 1,9% em 2025. Apple e Samsung dominaram as vendas, detendo coletivamente 39% da participação no mercado global – um aumento em relação aos 37% do ano anterior, de acordo com dados da International Data Corporation (IDC). No entanto, é improvável que este crescimento continue em 2026 devido a uma crise iminente: uma grave escassez de RAM, o componente de memória vital para a funcionalidade do smartphone.
A ascensão dos telefones premium em 2025
No ano passado assistiu-se a uma forte procura por smartphones premium (com preço superior a 800 dólares), indicando que os consumidores com rendimento disponível não foram relativamente afetados pela inflação e pelos problemas da cadeia de abastecimento. A Apple e a Samsung capitalizaram esta tendência, garantindo uma maior quota de mercado. Isto sugere que a lealdade à marca e o valor percebido continuam a impulsionar as compras de produtos de alta qualidade, mesmo em tempos económicos incertos.
Por que a escassez de RAM é importante
A escassez de RAM não é apenas mais um problema na cadeia de suprimentos; é uma perturbação potencialmente devastadora. Ao contrário da escassez anterior que afetou componentes específicos, esta crise afeta um elemento central dos smartphones modernos. Sem RAM suficiente, a produção diminuirá, os custos aumentarão e a escolha do consumidor diminuirá. Isto é particularmente preocupante porque a escassez já está a afectar o mercado de PCs, indicando a sua gravidade e implicações a longo prazo.
Como os gigantes da tecnologia se adaptarão
Fabricantes maiores, como Apple e Samsung, provavelmente enfrentarão a escassez de maneira mais eficaz devido ao seu poder de compra. Eles garantirão taxas de fornecimento preferenciais, garantindo a produção contínua enquanto as marcas menores enfrentam dificuldades. No entanto, o consumidor médio enfrentará inevitavelmente preços mais elevados, independentemente da fidelidade à marca.
Os analistas prevêem que as empresas tentarão mascarar estes aumentos através de várias estratégias:
- Redução das especificações do modelo básico: Opções de armazenamento mais baixas se tornarão padrão, empurrando os consumidores para configurações mais caras.
- Aderir à tecnologia mais antiga: Em vez de adotar os avanços mais recentes, os fabricantes podem optar por componentes econômicos do ano anterior.
- Aceitar margens mais baixas em dispositivos premium: Telefones superpremium (como dobráveis) podem absorver alguns aumentos de preços sem impactar significativamente as vendas.
O impacto no orçamento e nos telefones de médio porte
Os mais atingidos serão os segmentos orçamentais e de gama média, onde as margens já são reduzidas. Estes dispositivos, essenciais para os mercados emergentes e para os consumidores preocupados com os custos, sofrerão aumentos de preços significativos. Isso poderia forçar alguns consumidores a adiar atualizações ou mudar para dispositivos mais antigos e menos capazes, potencialmente desacelerando o crescimento geral do mercado.
“A duração da escassez de memória determinará, em última instância, a extensão da contração do mercado”, segundo Ryan Reith, vice-presidente do grupo IDC.
Como resultado, a indústria está se preparando para um declínio em 2026. As empresas provavelmente darão prioridade à preservação dos lucros em detrimento da acessibilidade ao consumidor, garantindo que mesmo os telefones de gama básica reflectem o aumento dos custos.
