Um novo relatório global confirma que o uso intenso das redes sociais está correlacionado com a diminuição da felicidade, especialmente entre os jovens dos países de língua inglesa e da Europa Ocidental. O Relatório Mundial sobre Felicidade 2026, publicado pelo Centro de Pesquisa de Bem-Estar da Universidade de Oxford, descobriu que menores de 25 anos em países como Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia experimentaram uma queda significativa na satisfação com a vida na última década.
Principais conclusões sobre o declínio do bem-estar
O estudo revela uma tendência preocupante: a exposição prolongada às plataformas de redes sociais parece ser um dos principais contribuintes para este declínio. Os pesquisadores descobriram que os adolescentes, especialmente as meninas, que passam cinco ou mais horas diárias nas redes sociais relatam menor satisfação com a vida do que aqueles com uso limitado. Curiosamente, o relatório também indica que os jovens que utilizam as redes sociais durante menos de uma hora por dia relatam, na verdade, um bem-estar mais elevado do que aqueles que se abstêm totalmente. O adolescente médio, entretanto, passa cerca de 2,5 horas por dia navegando.
Isto é significativo porque sugere que o uso moderado pode ser benéfico, mas o envolvimento excessivo parece ter efeitos prejudiciais. A questão não é a ligação social em si — o relatório destaca que fortes laços familiares e comunitários na América Latina, por exemplo, contribuem para níveis mais elevados de felicidade — mas sim como as redes sociais facilitam essas ligações.
As classificações globais de felicidade permanecem estáveis
Embora o bem-estar dos jovens diminua em algumas regiões, o topo da classificação global de felicidade permanece consistente. A Finlândia foi eleita a nação mais feliz do mundo pelo nono ano consecutivo, seguida por outros países nórdicos como Islândia, Dinamarca, Suécia e Noruega. Estas nações beneficiam de estabilidade económica, sistemas de segurança social robustos e uma elevada esperança de vida.
A Costa Rica, no entanto, subiu surpreendentemente para o quarto lugar, atribuída a fortes ligações sociais e laços familiares. Isso destaca a importância dos relacionamentos do mundo real na felicidade geral.
Por que isso é importante: o aumento da ansiedade algorítmica
O relatório aponta plataformas com feeds algorítmicos, influenciadores e conteúdo orientado visualmente como particularmente problemáticas. Essas características incentivam a comparação social constante, fomentando a ansiedade e a insatisfação. Em contrapartida, as plataformas focadas principalmente na comunicação tendem a ter um impacto menos negativo.
As conclusões surgem num momento em que vários países consideram ou já implementaram proibições de redes sociais para menores, uma medida que reflecte a preocupação crescente sobre os seus efeitos nas mentes dos jovens. O relatório sugere que “colocar o ‘social’ de volta nas redes sociais” – priorizando a interação significativa em vez da rolagem passiva – poderia ser um passo fundamental para reverter esta tendência.
O resultado final
O Relatório Mundial sobre Felicidade 2026 fornece provas convincentes de que o uso intenso das redes sociais está ligado ao declínio do bem-estar entre os jovens nos países ocidentais. As descobertas sublinham a necessidade de uma reavaliação crítica da forma como nos envolvemos com estas plataformas e a importância de dar prioridade às ligações do mundo real para uma felicidade duradoura.
