Como a DigiScents trouxe o cheiro para a Internet

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Tratamos a web como uma segunda casa. Moramos lá, trabalhamos lá e passamos horas percorrendo seus corredores digitais. No entanto, apesar de todo esse tempo de tela, falta algo fundamental à Internet. É plano. Está em silêncio. Falta a coragem do mundo físico. O maior buraco em nossa experiência online? Realismo.

Nascemos com cinco sentidos. Visão, audição, tato, olfato, paladar. A internet usa dois. Talvez três, se você contar o clique tátil do mouse.

Quando você faz logon, o que você realmente está fazendo? Você está procurando. A web é um meio visual. Palavras. Fotos. Vídeos. O áudio existe – MP3s, podcasts, streaming de música – mas é o ruído de fundo do evento principal: a visão. O toque é limitado ao hardware. Você pressiona teclas. Você move o cursor. Você não sente o cheiro do café sendo preparado na sala ao lado. Você não prova o almoço que está comendo enquanto navega.

Durante anos, os desenvolvedores de software ignoraram o nariz e a língua. Eles se concentraram em pixels e poder de processamento. Então, duas empresas americanas decidiram que isso era um erro. Eles queriam despertar seus sentidos. Eles trouxeram odores digitais para a área de trabalho.

A Ciência do Olfato e da Memória

Por que se preocupar? Porque o cheiro é poderoso. Podemos reconhecer milhares de odores distintos. Os cientistas sugerem que o cheiro está diretamente ligado à memória. Ele desbloqueia coisas que outros sentidos não conseguem. Um cheiro de chuva no asfalto quente. O forte sabor do pinho. O ar viciado de um porão.

Esta é a promessa da DigiScents. Eles planejaram transmitir cheiros para o seu computador. Não apenas descrevê-los. Na verdade, envie-os.

Se você consegue sentir o cheiro da internet, parece mais real? Isso importa?

A tecnologia dependia de um pequeno dispositivo chamado iSmell. Ele está conectado à sua porta USB. Continha um disco com cartuchos de perfume. Milhares de cheiros, armazenados digitalmente. Você podia sentir o cheiro de uma rosa. Você podia sentir o cheiro de um prédio em chamas. Você podia sentir o cheiro do oceano.

Era para mudar a forma como interagimos com o conteúdo. Os jogos teriam cheiro de sangue. Os sites de notícias carregariam a fumaça do fogo. As redes sociais teriam o perfume de um encontro.

Mas o sonho teve vida curta.

A ascensão e queda do olfato digital

DigiScents foi a empresa por trás do iSmell. Eles eram ambiciosos. Eles queriam criar um padrão para aromas digitais. Eles fizeram parceria com desenvolvedores de software. Eles construíram o hardware.

Eles prometeram uma nova dimensão para a web.

Mas o mercado não estava pronto. Ou talvez a tecnologia fosse muito cedo. Ou talvez o custo fosse muito alto.

A empresa faliu. O dispositivo iSmell desapareceu. Os cartuchos são poeira.

A tecnologia morreu. Mas a ideia permanece. Como podemos preencher a lacuna entre a tela e o eu? Como fazemos com que o virtual pareça real?

Ainda estamos procurando. Ainda clicando. Ainda sinto falta do cheiro de chuva.

A guerra de hardware para o seu nariz

Se você imaginar uma vida sem cheiro, é basicamente um tanque de privação sensorial. Nada de assar biscoitos. Não há chuva no asfalto quente. Sem flores. É uma existência monótona porque o sabor é basicamente apenas um cheiro disfarçado. Sua língua detecta sabores básicos; seu nariz faz o trabalho pesado para a complexidade. Esse vazio sensorial atualmente define a internet. É silencioso, insípido e inodoro. Mas isso está prestes a mudar. Dois concorrentes de hardware estão se aproximando para tornar seu navegador tão envolvente quanto frustrante.

The iSmell: misturando tudo

A DigiScents em Oakland está construindo o iSmell Personal Scent Synthesizer. O nome é uma piada. Você sabe que é. Seus amigos vão rir. Eles estão apostando que o absurdo faz você olhar para o aparelho. É um dongle em forma de barbatana de tubarão que se conecta a uma porta USB ou serial. A energia vem de uma tomada de parede padrão.

Aqui está a mecânica:

  • DigiScents mapeou milhares de cheiros por estrutura química.
  • Estes são digitalizados em pequenos arquivos de dados.
  • Os arquivos estão incorporados em sites ou e-mails.
  • Você clica em um link. O dispositivo é acionado.
  • Mistura 128 odores primários a partir de um cartucho substituível.

Pense nisso como um cartucho de toner de impressora. Você troca quando a precisão cai. O objetivo é replicar os aromas do dia a dia misturando esses 128 compostos básicos. Eles estão trabalhando com a Real Networks para levar o software ScentStream aos seus 115 milhões de usuários do RealPlayer. Ainda não há etiqueta de preço. Sem data de lançamento. Apenas um protótipo e muita ambição.

SENX: Imprimindo cheiros em papel

A TriSenx, com sede em Savannah, Geórgia, quer ir mais longe. Eles não estão apenas emitindo ar. Eles estão imprimindo aromas em papel de fibra grossa. Você lambe o papel. Você sente o cheiro. O dispositivo é chamado SENX, que significa Sensory Enhanced Net eXperience.

É uma unidade de mesa, aproximadamente do tamanho de uma impressora pequena. Ele se conecta a uma porta COM externa e funciona com uma bateria recarregável de 6 volts. Dentro há um cartucho descartável com 20 câmaras de aroma distintas. Ao combinar dois cartuchos, eles afirmam criar representações de 40 paletas, permitindo milhares de cheiros únicos.

A TriSenx está realmente recebendo ordens. O SENX custa US$ 269. Esse preço inclui o software SenxWare Scent Design Studio. É concreto. Você pode comprá-lo hoje. DigiScents ainda está na fase de hype.

Por que o perfume digital é importante

Não se trata apenas de novidade. É uma questão de imersão.

Imagine assistir O Patriota. Você está em DVD. Os canhões explodem. Com um periférico DigiScents conectado, você sente cheiro de pólvora. O exército britânico marcha pela grama. Você sente o cheiro do campo. A família foge para o litoral. Você sente o cheiro do oceano. Não é apenas visual. É visceral.

Os videogames são a próxima fronteira óbvia. Os gráficos do PlayStation 2 estão tentando enganar seus olhos. Um sintetizador de aromas pode enganar seus instintos. Imagine abordar um bandido em um jogo. Você sente o cheiro dele antes de vê-lo. Os jogos de corrida podem bombear borracha queimada e gasolina em seu rosto. Isso muda o ciclo de feedback.

O ângulo da publicidade

Antes que os filmes e jogos adotem isso totalmente, espere isso nos anúncios. Os cartões de raspar e cheirar eram um artifício dos anos 90. Aromas digitais são o novo gancho. Imagine passar por um banner da Coca-Cola. Você passa o mouse sobre ele. O perfume desencadeia. De repente, você está com sede. É marketing olfativo direcionado. É agressivo. É eficaz.

Compras sem sair de casa

O comércio eletrônico já é enorme. O perfume digital adiciona outra camada. Por que apenas ver os grãos de café quando você pode cheirá-los? Flores. Doce. Perfume. Você pode provar produtos sem sair de sua mesa. Pare e cheire as rosas sem abrir a janela.

O cheiro digital é realmente possível?

Sim. A tecnologia existe. Baseia-se em sensores para detectar moléculas e em computadores para recriá-las. O hardware varia – alguns emitem para o ar, outros imprimem no papel – mas a função principal é real. Você não precisa mais imaginar isso. Você pode conectá-lo.

O nariz digital: por que nos importamos

Já passamos da fase da novidade de farejar a internet. Não se trata mais apenas de adesivos inovadores. Trata-se de uma mudança fundamental na forma como interagimos com os dados.

Os primeiros dias foram confusos. Produtos como DigiScents prometiam uma experiência olfativa na web. Eles não duraram. Por que? Latência. O cheiro chegou tarde demais. Além disso, o hardware era volumoso. Você precisava de uma caixa em sua mesa. Isso não é um recurso. É um obstáculo.

TriSenx tentou um ângulo diferente. Eles se concentraram na precisão. Não apenas qualquer perfume. Combinações químicas específicas. Eles queriam despertar a memória, não apenas a confusão. Mas o mercado estava cético. Por que cheirar um site?

Depois veio a mudança para a tecnologia de aromas digitais em áreas especializadas. Jogos. Treinamento. Terapia. O mercado consumidor estagnou. O mercado profissional cresceu.

Como o perfume digital realmente funciona

Você pode pensar que é mágico. Não é. É química e código.

A premissa básica é simples. Um dispositivo mistura aromas básicos. Cria um novo cheiro. O dispositivo controla a proporção. Você obtém um aroma específico.

Mas existem duas abordagens principais. Um usa cartuchos pré-fabricados. Você os troca. Como uma impressora. Você fica sem “oceano” e coloca “floresta”. É confiável. Está limpo. Mas é limitado. Você está preso ao que o fabricante faz.

A outra abordagem é dinâmica. Ele se mistura na hora. Produtos químicos líquidos. Aquecido. Liberado em uma pequena câmara. Você inspira. O cheiro atinge seu nariz. Então o dispositivo o limpa. Rápido. Você não pode sentir o cheiro do jantar de ontem hoje.

É aqui que a tecnologia fica complicada. O cheiro é subjetivo. A “grama recém-cortada” de uma pessoa é o “vazamento químico” de outra. A tecnologia tem que dar conta disso. Ele usa algoritmos para mapear eventos digitais para perfis de cheiros. Um incêndio em um jogo. Um aviso. Uma celebração. O perfume desencadeia uma resposta emocional. Mais rápido que a vista. Mais rápido que o som.

Por que isso importa?

Porque o cheiro ignora o cérebro lógico. Vai direto para o sistema límbico. Essa é a parte do cérebro que lida com a memória e as emoções. Um cheiro pode fazer você se sentir calmo. Ou alerta. Ou nostálgico. Imediatamente. Sem tela de carregamento.

Onde isso é realmente usado?

Você não encontrará isso em um navegador comum. Ainda não.

Mas olhe para os jogos. Sims de corrida de última geração. Você pode sentir o cheiro da borracha queimada. A gasolina. Ele adiciona uma camada de imersão que os gráficos por si só não conseguem. Não é apenas visual. É visceral.

Veja o treinamento. Bombeiros. Eles precisam sentir cheiro de fumaça. Fumaça de verdade. Mas a fumaça de verdade é perigosa. Tóxico. Simuladores digitais de aromas podem imitar o cheiro de plástico queimado. Ou madeira. Ou gasolina. Ele treina o cérebro. Sem o risco.

Veja a terapia. TEPT. Fobias. A terapia de exposição usa perfume para aterrar os pacientes. Um cheiro específico pode desencadear uma memória. Ajude-os a processar o trauma. Ou ajude-os a relaxar. A tecnologia permite um controle preciso. Você pode aumentar ou diminuir a intensidade.

E depois há o comércio eletrônico. Imagine comprar um colchão. Você não pode sentir o cheiro online. Mas e se você pudesse? Um aroma sutil de “linho limpo”. Ou “carro novo”. Influencia a percepção. Isso muda a forma como você julga a qualidade

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